O Linkin Park e a minha hipocrisia

Vocês já ouviram a já-não-tão nova música do Linkin Park? Aquela que não soa como estamos acostumados? Heavy é o primeiro single do álbum One More Light, que tem lançamento previsto para o dia 19 de maio. A música chegou para nós em fevereiro e me fez pensar: isso não é Linkin Park!

‘Heavy’ não é Linkin Park, eu disse

Para começo de conversa, a música conta com a participação da Kiiara, uma cantora e compositora de eletropop, R&B, pop experimental. De cara, algo que não se parece com o LP a que dizemos estar acostumados… Não bastasse isso, começa com um Chester leve e sentimental demais pra gente. Quase um teen popeu disse.

Como ‘Heavy’ não é Linkin Park? ele perguntou

chester
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Eu precisei me deparar com essa pergunta para me dar conta da minha hipocrisia. Chegaremos lá…

Na matéria, Chester lembra que o Linkin Park tem um histórico de críticas por fazer algo diferente do esperado. Foi assim ao longo da carreira dos caras e não é novidade para eles. Talvez, para nós – mim -, tenha soado ainda mais diferente porque seja, de fato, ainda mais diferente. Mas e daí?

Mas e daí? É ai que mora a minha hipocrisia!

Eu não deixei de torcer o nariz para Heavy depois de cair na real de tudo o que o Chester disse. Pelo menos por enquanto, assim isolada de todo o resto do álbum que ainda está por vir, eu não gostei da música e pronto.

Porém, nesses mais de dois anos que eu escrevo sobre música aqui e no PontoJão, há algo que eu aprendi a apreciar e já dividi que vocês várias vezes: eu tenho respeito pelo artista que experimenta, que sai da sua zona de conforto. Eu gosto quando fazem isso!

Por que foi diferente dessa vez?

Foi diferente porque, pela primeira vez, um artista que eu já gostava me apresentou algo novo que soasse totalmente fora da minha zona de conforto e eu não soube lidar!

Estaria tudo perdido para o novo álbum?

one more light

Eu continuo com “medo” de Heavy ter sido só o começo e, de fato, no fim das contas, eu não gostar do som de One More Light. Com essa reflexão, toda, porém, permiti que meu nariz torcido se transformasse em curiosidade. O Linkin Park fez uma música pop e eu quero saber aonde diabos isso vai nos levar. 

Guardadas as devidas proporções – até porque o susto foi bem menor -, Sonic Highways, do Foo Fighters, não agradou a todos de cara. Há quem ainda não goste, claro. E tudo bem. Quando falei sobre no Yellow, tentei explicar porque é um álbum melhor do que pareceNão sei se minha percepção do que o LP nos prepara vai me permitir fazer o mesmo “por eles”, mas há esperança :)

E teve mais…

+ Depois disso – e antes que eu pudesse lançar esse post -, os caras liberaram também o lyric video para Battle SymponyGood Goodbye. Essa última é uma parceria com os rappers Stormzy e Pusha T (não, ainda não sei quem são). Apesar de ainda pop, é um som que me agradou mais. Me deixou, digamos, mais confortável. E não é porque ‘se parece mais com LP‘. É, simplesmente, por ter sido sonoramente mais interessante, a princípio.

O que vocês acham? De HeavyGood Goodbye, eu estou ficando gradativamente mais e mais interessada nas novidades da banda… Seria um mero resultado da minha reflexão aqui? Divaguem comigo!

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36 comentários sobre “O Linkin Park e a minha hipocrisia

  1. tem outra tbm. Battle simphony, com uma letra sensacional e batida pop também. Acho que vai ser o melhor álbum desde A Thousand Suns, de 2010. As letras são bem construídas, melodias boas, q não perdem essência por serem pop.

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    1. Olha, tinha perdido a Battle Symphony! Obrigada por mencionar :)
      Eu acompanho bem menos o universo pop do que deveria para tentar tecer um comentário como este, mas em meio a tantos pop “sem letra”, é bom que o Linkin Park consiga se manter como um contraponto a isso. Estou cada vez mais ansiosa pra esse álbum novo. Acho que gerar controvérsia é algo da essência dos caras também… Então vou tentar aproveitar o tempo até lá para ouvir a discografia toda, com um olhar mais crítico sobre o tudo e ver no que dá!

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      1. sim, tem essa diferença, as letras são boas, o q não é um característica marcante do pop atual. Eles são assim msm, eu prefiro eles nesse estilo q os motiva sempre, do que de outras bandas q não saem do lugar comum e continuam vivendo apenas do que fizeram no passado.

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        1. O passado/nostálgico é seguro, confortável né. Às vezes penso, por exemplo, que vou parar de gostar de Blink ou Green Day – apesar de qualquer evolução ou mudança – por tê-los totalmente associados à minha adolescência. Mas surgem com algo e eu vou ouvir feliz… Por outro lado, entendo bem o que você quer dizer e é uma das minhas defesas, geralmente. Os artistas têm que ter espaço para experimentar e acho bom que o façam!

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          1. eu sempre gostei de blink e green day. Mas veja q o q eles lançam hj nao mais atinge um público grande como antes. O Linkin Park fez seu álbum mais pesado em 2014, e foi o pior nas vendas. Eles mesmos disseram q inverteram no One More Light a ordem da composição, escrevendo primeiro as letras, e depois colocando o ritmo. Colocaram mais pop possível com a intenção de atingir mais gente, mas vendo as novas músicas, por conhecer todas deles, vejo q a essência vai ser a msm. Curioso pra ver ao vivo, pq vão usar mais instrumentos. Veja Heavy nessa versão, por exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=8W_AaAidTS8
            Uma versão mais neste sentido

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          2. Esse seu comentário me fez pensar em até que ponto as bandas de rock ou pop rock conseguem alcançar o público como faziam antes? Um outro leitor aqui do blog veio comentar sobre essa guinada pop do LP, sugerindo que pode ser uma tentativa justamente de tentar alcançar mais (e novas) pessoas… É difícil, acredito, para qualquer artista tomar uma decisão que pode lhe abrir novos caminhos, mas, ao mesmo tempo, pode lhe fechar outros antigos. E não há garantia de nada…
            Sobre o The Hunting Party, tenho até dificuldade de comentar porque acho que ouvi completo uma vez apenas.
            E essa versão de ‘Heavy’ me deixou curiosa, mais uma vez, quanto ao álbum todo. Gostei mais dessa do que da original, inclusive. Só é bem pouco intensa, tem pouca ou nada da energia que eu estou acostumada a tirar de LP, né. Então quero ver se o álbum todo vai cair nisso ou até se a banda vai criar outra forma de apresentar essas músicas ao vivo pra gente.

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  2. Gostei de ambas as músicas e adoro uma novidade, artista tem que se reinventar mesmo, fazer diferente, Acho que você deve ter tido este impacto porque gosta demais da banda e não esperava isso. Eu fiquei meio assim com a nova fase da Lady Gaga e olha que nem sou fã dela haha. E agora até curti algumas músicas. Beijos

    Curtido por 4 pessoas

    1. Foi justamente por isso, Simone. E o que eu achei mais curioso nisso tudo é que eu, frequentemente, defendo artistas que inovam, que mudam o que fazem. Com as novidades do Linkin Park, percebi que não é tão fácil quanto eu fazia parecer, hehe. Ainda assim, acho super válido!
      Sobre a Gaga, é difícil para mim formar uma opinião que converse bem com você. Demorei um pouco a dar atenção – já escrevi sobre ela aqui – e entrei direito gostando dessa nova fase já! Acho que isso prova tudo o que dissemos, né?

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  3. Se tu dar o play e fechar os olhos dificilmente vai lembrar de Linkin Park. Me faz lembrar da época de Green Day depois do American Idiot. Parece que tu perde a identificação com a banda sabe? Por outro lado a mudança brusca é comum em muitas bandas.. Eu só penso que essa mudança tão rápida e repentina é de se estranhar demais.

    Curtido por 3 pessoas

    1. Entendo bem o que você disse! Longe de mim tentar tirar de alguém essa razão de que não parece LP. Vamos ver se, com os lançamentos, com o álbum, a gente entende melhor as razões (se é que existe algo mais concreto do que o simples desejo de mudar) dos caras.

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        1. Da primeira vez que eu ouvi, fiquei bem chateada, digamos assim. Mas realmente comecei a me abrir pra esse novo. Mas quero mesmo ouvir o álbum completo, na sequência e entender o que vou tirar dai… Falo, até, mais como alguém que tenta escrever sobre música do que como fã da banda mesmo. O lado fã continua meio assustado :p

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  4. Não ouvi a Good Good Bye ainda, mas pelo que eu pude ver de Heavy, tem muito do Linkin Park pesado ali sim. O clima do clipe, a ambiência da música e também a letra em tom animador, apesar de expôr mazelas do ser humano contemporâneo. Contudo, de fato, os vocais bem leves, e os dois pés dentro da música pop mais comerciais também são visíveis. Acredito que esse será um disco interessante. O legal quando uma banda faz isso é que ela apela mais para um público de música no geral, do que para a sua própria base de fãs. Isso é sempre legal porque fã é bicho ruim e mal acostumado.

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    1. O LP sempre passeou, pra mim. Tenho uma lembrança de uma sonoridade definida que vem da adolescência e de álbuns/músicas que seguiram o mesmo “enredo” desde então. Mas não acho que a banda tenha se perdido ou esteja completamente diferente. A minha reação inicial, porém, foi realmente concordar com todo mundo que dizia que isso não era Linkin Park.
      Outro leitor do blog deixou pra mim uma versão mais limpa de ‘Heavy’ e eu fiquei mais interessada. Apesar do vocal leve e de sentir falta da energia que LP costumeiramente me passa, achei mais legal. Continuo ansiosa pelo álbum.

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    1. Certamente, você não foi a única! Já vieram me dizer por inbox que gostaram também :) Eu, particularmente, estou caminhando para achar o som interessante. Minha ideia ainda é esperar o álbum como um todo. O problema real, foi o choque inicial, mas me manterei aberta para a novidade… Vamos ver!

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  5. Acho “hipocrosia” uma palavra muito forte. O fato de você ter ficado com o pé atrás é totalmente justificado, já que uma guinada pop quase sempre significa que um artista está preocupado demais em agradar, e acaba fazendo um som muito genérico (não é à toa que muitos fãs antigos de Coldplay e Maroon 5 ainda hoje estão na bronca com essas bandas).

    Por outro lado, também é interessante notar que essa fase pop do Linkin Park provavelmente vai atrair fãs novos, que certamente vão se interessar em conhecer as coisas mais antigas.

    Foi o que aconteceu comigo, por exemplo, que conheci Santana na época de Supernatural, curti demais, fui atrás dos seus trabalhos mais antigos e hoje curto (praticamente) todas as suas fases.

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    1. É muto forte sim, Henri. Escolhi tanto porque sabia que poderia chamar atenção, quanto porque, num primeiro momento de reflexão, achei que eu estava realmente “faltando com minha palavra” aqui.
      No texto, porém, percebe-se que ainda estou sendo legal comigo – e com os outros – e dando total liberdade pra seguir não gostando do LP pop. Quero mesmo aguardar o álbum, as cenas dos próximos capítulos e ver o que é que esses caras estão buscando. Confesso que não tinha pensado nessa guinada pop como um apelo para tentar agradar mais pessoas. Vou manter isso em mente enquanto acompanho o que vai acontecer daqui pra frente na vida dos caras!

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  6. Penso de maneira similar ao que você mencionou Lari, sobre a zona de conforto. Quando a banda/artista arrisca algo diferente, mas sem perder sua ESSÊNCIA, respeitando assim seus admiradores e demonstrando uma possível transição para novos nichos musicais, ok. Foi o que aconteceu com o Strokes por exemplo, uma de minhas bandas favoritas: Angles e Comedown Machine foram claros sinais de onde o Julian pretende nortear a banda daqui pra frente, mas fez isso com extremo zelo e respeito pelos saudosistas de Is this It e Room on Fire. Não posso opinar muito sobre LP pois não segui a trajetória deles à risca (ouvi mais ou menos o Meteora), mas essas mudanças repentinas e drásticas de se fazer algo mais “pop” deixa uma nítida impressão de que o apelo é mais comercial (Kings of Leon é um ótimo exemplo, mudaram o estilo e rapidamente passaram a ganhar muito mais). Sobre o Foo Fighters, eu ainda vou dar uma chance pro Sonic Highways (se me recordo bem dei 2,5 no rym depois de umas 3 audições) mas não fiquei tão puto porque Wasting Light pra mim foi a obra-prima deles que dificilmente será superada…inclusive em minha opinião está em terceiro lugar dos melhores discos dessa década (até o momento) :D

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    1. Isso de manter a essência é importante. Acho difícil colocar limites no “criativo”, mas é realmente interessante respeitar algo que mantenha a identificação entre artistas e fãs.
      Essa questão do apelo comercial eu não tinha pensado, no momento de reflexão e escrita do post. Foi um outro leitor que mencionou e é realmente um ponto válido! Vamos acompanhar a postura e o burburinho que o novo álbum vai gerar (ou não).
      Pulando para Sonic Highways, a sugestão que fiz aqui no Yellow é de que as pessoas assistam à série. Para mim, fez total diferença na compreensão da obra dos caras. É um álbum que me agrada :)

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  7. Preciso confessar que, mesmo sendo alguém “do pop”, não gostei de “Heavy”. Não por ser muito diferente de trabalhos anteriores do LP, mas por não suportar esse assovios e estalares de dedo que estão hoje tão em moda no mundo pop, para a minha infelicidade rs

    Por outro lado, de fato é um som bastante surpreendente para quem, como eu, cresceu com o LP do excelente “Meteora” (sim, eu amo o Meteora haha ok, eu tinha medo do clipe de “Somewhere I Belong” aos 11 anos, mas hoje em dia gosto muito daquele álbum). E surpreende por ser mais calma que as mais calmas que eu conheci da banda, como Numb e Leave out all the rest… Também não gostei muito das outras duas músicas que você comentou no post, embora as tenha achado mais interessantes que Heavy. O engraçado é que eu gostei muito dos vocais femininos em Heavy.

    Normalmente, não tenho problemas com o simples fazer algo diferente de um artista, mas, obviamente, só aprecio o novo quando se trata de algo que realmente me agrada. Não consegui gostar, por exemplo, das duas faixas em que a Laura Pausini flerta com o electropop em seu álbum mais recente, porém gosto de muitas (não todas) das canções pop da Taylor Swift. E AMEI o EP pop-psicodélico-dance que o quarteto country Little Big Town lançou no comecinho de 2016, o que, convenhamos, é beeeem distante do habitual da banda. Enfim… Apreciei bastante a sinceridade do seu texto!

    Beijos!!

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    1. E eu apreciei bastante a sinceridade do seu comentário! Lembro mesmo de você já ter mencionado que esse tipo de recurso usado em ‘Heavy’ não te agrada. Se não me engano, algo com alguma música do Bieber (ou viajei?). Enfim… Vi uma versão menos eletrônica de ‘Heavy’, digamos assim, e achei mais interessante. Para minha avaliação final, continuarei aguardando o álbum completo :)
      Um beijo!

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      1. SIM!!! Foi em “Sorry” do Bieber. Aquela música me traumatizou. Os únicos álbuns em que gostei de como utilizaram os assovios foram o “Revival”, da Selena Gomez, e o “Glory”, da Britney Spears. E, como você, meu negócio é avaliar álbum completo ;) hehe

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    1. Obrigada! Acho que mesmo quando a gente consegue pensar em coisas como demandas da indústria, a gente sente algum estranhamento quando uma banda vai em direção a outro extremo… Depois o choque diminui!

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