Do “blues” ao “pop” com James Bay

Após cinco anos de espera desde o lançamento de seu aclamado álbum de estréia — The Caos and The Calm —, James Bay finalmente nos presenteou com o seu Eletric Light

Eu ansiava muito por este segundo álbum porque me encantei pelo sentimento blues que o jovem Bay empregava em suas músicas.

À época de suas primeiras aparições que o levaram a conquistar a atenção da crítica e do público, James empunhava sua guitarra de som sempre marcante e se vestia de um icônico chapéu que, junto ao cabelão, desenhava um estilo próprio pouco visto entre os proeminentes da música atual.

The Caos and The Calm rendeu três indicações ao Grammy (Artista Revelação, Melhor Música de Rock para Hold Back te River e melhor Álbum de Rock), além de um Critics’ Choice no Brit Awards.

Ao longo do tempo, a imagem de James foi se despindo desses “adereços”. O chapéu sumiu e cabelo cumprido também se foi. Mas, o seguindo de longe (apenas pelo Instagram) eu não consegui notar o que essas mudanças anunciavam. Até porque, a guitarra continuou em mãos e toda uma estética com aura rock ainda permanecia.

Foi então que, em 18 de maio de 2018, Bay nos mostrou como substituiu o sentimento blues por uma pegada mais pop para ditar o tom de seu novo álbum. Palmas, sintetizadores, distorções e outros efeitos que eu — e possivelmente qualquer um que tenha se apegado ao jeitão bluesy — não esperava.

Os outros fãs, aqueles mais dedicados do que eu já sabiam de tudo isso graças à liberação prévia das faixas Us, Pink Lemonade, Wild Love Slide. Mas eu seguia sem ter qualquer ideia de qual caminho James Bay optaria por seguir.

Esse caminho mais ao pop foi escolhido em meio à pressão de dar sequência a um debut que ganhou bastante destaque. Em meio à evoluções próprias e, claro, ao desejo de apresentar ao mercado da música um som mais comercial. Feito?

Parte da crítica avalia que o novo som corresponde a esse propósito. E há posicionamentos como o do The Guardian que chama a atenção de forma não muito positiva para as mudanças de “referências” de Bay substituindo Eric Bibb (figura do blues) por Frank Ocean e Taylor Swift.

James Bay chamou a minha atenção justamente por não parecer mainstream. Com Eletric Light, ele (e todos aqueles envolvidos na produção desse álbum) se jogou em direção ao mainstream para tentar criar um relacionamento ainda mais forte e duradouro.

Não há nada errado nisso. Afinal, é o apelo comercial que garante a sobrevida dos artistas. Algo que acontece desde que os Beatles revolucionaram a música e que se tornou ainda mais evidente nos tempos de serviços de streaming.

No que diz respeito à qualidade sonora e até às letras, é possível dizer que Eletric Light revela um James Bay mais maduro. O que, de fato, é um movimento natural, aguardado e que merece ser devidamente enaltecido.

A história no álbum — Eletric Light começa com uma Intro falada que apresenta a história de um casal que vai viver idas e vindas e, no meio, apresenta um Interlude para chamar o ouvinte de volta para essa narrativa.

E é justamente esse resgate, que marca uma tentativa de reconciliação dos personagens que Just for Tonight se apresenta para ser minha faixa favorita do álbum. Muito porque resgate um pouco do James Bay que me conquistou anos atrás.

James Bay começou “blues” e se voltou para o “pop”. Tudo entre aspas mesmo porque são influências. O que mais me interessa é saber onde essa e outras mudanças vão nos levar.

Você já ouviu Eletric Light? Conta para mim sua opinião quanto a essa mudança de estilo apresentada no álbum!

 

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4 comentários sobre “Do “blues” ao “pop” com James Bay

  1. Eu realmente acho que esse investimento todo no Pop music se deve ao medo do esquecimento. A Taylor mesma é um bom exemplo disso. Viu que não tava mais na mídia e lançou shake it out. Daqui a pouco só vai ter pop. E olha que esse pop é uma mistura de vários estilos com um sintetizador qualquer.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Demorei duas vidas para ver esse comentário? Demorei! Mas aqui estamos para responde-lo!

      Eu acho que há uma série de fatores atrelados ao sucesso do pop. Eu não saberia listá-los, mas penso em questões que levariam os fandoms a serem tão ativos e ajudarem tanto a impulsionar visualizações e reproduções nos lançamentos de seus ídolos. Isso não acontece da mesma forma com outros gêneros. Então, sim, o investimento no pop é uma forma de aparecer, ser conhecido ou não ser esquecido. Não digo isso como uma crítica, mas gostaria muito que as pessoas desse meio (nós consumidores de música inclusos) soubessem o que fazer para dar um bom destaque a outros gêneros. Acho mentirosa a ideia de que pop (e sertanejo, no Brasil) dominam as paradas porque são preferência de todos. Outros gêneros possuem muitos fãs, qualidade, potencial… Mas algo diferente acontece!

      Curtido por 1 pessoa

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