When my time comes…

Esse post foi desenvolvido em memória de Chester Bennington ♥. O título é parte da letra de Leave Out All The Rest.

Eu não ia escrever esse post. Eu tenho muito e, ao mesmo tempo, nada a dizer sobre a morte de Chester Bennington. E é justamente no meio dessa confusão — atendendo a um pedido de uma das pessoas mais importantes da minha vida — que eu decidi (uma vez mais) deixar meu coração nessas páginas por alguém…

Quando eu escrevi sobre a minha relação com o rock e a música, mencionei algo sobre “aquilo que não gostamos de chamar de rock”. Eu estava pensando em Linkin Park (e em Green Day). Isso porque, até eu que passei anos ouvindo a banda de Chester, sentia uma necessidade de justificar meu gosto pelo som dos caras.

E como eu fazia isso? Dizendo que era algo que marcou muito a minha adolescência e que, por isso, sempre teria créditos.

Em 2014, em tive a chance de ver os caras ao vivo e foi surreal. Sur-re-al! Eu tinha me esquecido o quanto eu gostava de LP e, daquele dia em diante, eu não só passei a ouvir suas músicas todas as semanas, como deixei de me justificar.

Para muita gente, as letras do LP foram (e ainda são) libertadoras. Esses caras salvaram uma infinidade de fãs de ter o mesmo fim precoce e trágico que Chester teve. Basta uma visita à página da banda ou uma busca rápida na web para comprovar: eu não estou inventando isso.

Quando o Linkin Park apareceu em minha vida, eu já tinha depressão. E eu já tinha o Nirvana como apoio,  mas Kurt já havia partido há muito… E eu não pude vê-lo superar nenhum de seus traumas.

Do contrário, Chester estava aí, vencendo o abuso sexual sofrido na infância, a depressão e o vício. Estava —  como ele próprio ressaltava — mostrando para milhares de pessoas que é possível superar toda essa dor, ter uma vida normal, conquistar sonhos e ser feliz.

É difícil escrever sobre isso agora, diante de dois desejos:
♥ que Chester estivesse vivo;
♥ e que as pessoas que ainda sofrem e o tinham como inspiração não desistam agora.

Mais do que as músicas, eu tinha em Chester a inspiração de alguém que não desistiu. No fim das contas, ele aguentou tanto quanto pode, provavelmente bem mais do que jamais imaginou (e menos do que gostaria).

 ♥

Alguns dias se passaram e eu ainda não consigo acreditar. Antes de Chester, demorei anos para lidar com o fato de que Kurt Cobain não estava mais aqui. Chorei sem qualquer pudor a morte de Amy Winehouse. Demorei cerca de 11 meses para ouvir David Bowie sem sentir meu coração se despedaçar.

Eu jamais vou questionar o sentimento de alguém por um famoso, nem tentar justificar isso. Quem me conhece para além do Yellow sabe o quanto depressão e suicídio são assuntos dos quais não fujo, do contrário. E sabe, também, o quanto me dói saber de qualquer pessoa que se vá dessa forma…

A partida de Chester parece ter doído mais fundo, justamente por ser tão bom enxergá-lo como alguém que não desistiu de lutar. E é essa a imagem que eu vou guardar. Nada vai mudar isso porque eu duvido que ele — ou qualquer outro — tenha simplesmente desistido.

rip chester

Linkin Park criou um site para homenagear Chester da forma mais perfeita possível: divulgar contatos de ajuda para pessoas do mundo todo. O meu objetivo com este post é, de alguma forma, fazer o mesmo. Aqui no Brasil, o CVV — Centro de Valorização da Vida — é a instituição principal.

Na página do blog no Facebook, fiz um post com o intuito de lembrar que o “Setembro Amarelo” é todos os dias. São casos como o de Chester que abrem os nossos olhos para o fato de que a depressão e outros problemas mentais precisam de atenção sempre.

Eu não vou esquecer.

Obrigada por tudo, Chester. #RIP

 …forget the wrong that I’ve done
Help me leave behind
some reasons to be missed
Don’t resent me, and when you’re feeling empty
Keep me in your memory, leave out all the rest
Leave out all the rest

 

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13 comentários sobre “When my time comes…

  1. Nossa, que forte! Li e me emocionei, principalmente por não saber de tudo o que ele passava, e da superação que vivia todos os dias. Penso que as “questões da mente” são infinitamente mais complicadas que as do corpo, pois tiram algo que gosto de chamar de “paz de espírito”. Gostava da banda e das músicas do Linkin Park, conheci através do meu esposo há pouco (não gostava na adolescência :( ), mas agora passei a admirar PROFUNDAMENTE tudo o que eles representam pro mundo, tudo o que querem passar. Realmente, são mais que simplesmente uma banda. E Chester, mais que simplesmente um cantor!
    Profundamente tocada com teu post, com tudo! Que o exemplo dele e o que queria passar através de suas músicas permaneça para sempre!
    Xêro

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    1. Ei, Mari. Obrigada pelo comentário!
      Existe um material em que o Mike Shinoda conta sobre a música Breaking the Habit: sobre ter sido feita com o propósito de ajudar o Chester a vencer o vício e sobre como foi difícil pra ele gravar isso. Se não me engano, faz parte de um DVD. Queria ter falado sobre no post, para quem se interessar em saber mais sobre o cara, mas como não sei aonde achar esse material, deixei de fora. Se eu descobrir, aviso na página do blog.
      E você tem razão, as questões da mente são infinitamente mais complicadas. Se a gente for pensar, até para superar as questões do corpo a mente precisa estar boa… Chester vai ser uma lembrança constante de tudo isso.
      <3
      Beijos

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  2. A depressão e a confusão mental é um dos piores males dessa década, sempre foi na verdade. Foi realmente muito triste saber que ele morreu. Eu não tinha muito contato com a banda, mas eu sei que vários fatores influenciaram tal ato. E as pessoas ao invés de darem apoio, ficam falando de deus, religião e julgando quem já se foi. Espero que um dia as pessoas cresçam mentalmente.

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    1. Também espero, Gustavo. São muitos questionamentos descabidos e ideias inapropriadas que vemos diante de uma situação como essa. Parece que, pra muita gente, o interessante é apontar culpados e sair por cima, como se ganhasse algo em cima da morte de alguém…
      Enfim, tomara que cresçam(os) todos.

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  3. Me emocionei, chorei muito quando soube, e ainda não consigo ouvir as músicas, LP marcou muito minha vida, tá bem difícil aceitar, depressão é uma coisa terrível, a gente precisa se manter forte. Parabéns pelo post.

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    1. Obrigada, K.
      Não tem sido fácil mesmo. Sempre que uma notícia surge (uma nova homenagem, pronunciamento de alguém, etc) eu preciso parar e pensar que realmente aconteceu.
      Por mais que eu soubesse do histórico, não tinha acompanhado as entrevistas recentes e não estava mesmo considerando a possibilidade de algo assim acontecer… A gente demora pra digerir mesmo.
      Quanto a ouvir as músicas, por incrível que pareça, eu consegui fazer isso bem mais rápido do que esperava.

      Curtir

  4. Nossa, ler seu post deu até um nó na garganta. Não tenho muito o que comentar sobre as letras, acho que o que sempre gostei de LP foi o fato de não conseguir entender as letras rs eu gostava da voz, da gritaria, era libertador. Lembro de vezes estar triste e colocar o CD para ouvir, gritava junto com ele, na minha lingua e na segunda música já estava melhor. Mas depois de mais velha passei a prestar maior atenção nas letras e aí casou tudo.
    Muito triste a morte dele, mais um talento se foi pelo suicídio. Se eles soubessem realmente como são importantes para nós…
    Sobre o fato de dizer se LP era rock ou nao eu ja passei por isso tb, tinha uns amigos rockeiroes na escola que falavam q a banda era pop e blablabla, mas coisas da idade, né.
    Obrigada pelo post, me deu uma nostalgia gostosa <3
    Bjs miga

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    1. Linkin Park era uma banda que eu fazia questão de acompanhar e aprender as letras. Dentre outros motivos, porque coincidiu com a época em que eu estava aprendendo inglês e era um exercício bacana.

      É interessante (e compreensível) como essas letras ficaram mais pesadas ainda nas últimas semanas.

      Vou lamentar a morte de Chester sempre. De tudo o que pude conhecer, ele era um ser humano incrível.

      Obrigada pelo comentário, Pri :*

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  5. Belo post, Lari <3
    Esse é um tema de fato difícil, a respeito do qual imagino que seja difícil inclusive encontrar as palavras corretas para escrever a respeito. Eu nunca fui especialmente fã do LP ou mesmo do Chester e lembro-me até mesmo de me assustar com Somewhere I Belong, primeira música deles que escutei, ainda em 2003, na finada MTV – achava o clipe assustador. Mas quando lançaram "Numb", também do excelente "Meteora", fiquei impressionada com a habilidade vocal do Chester – poucos são os cantores, sobretudo homens, capazes de fazer tantas coisas diferentes com a voz sem soar forçado e Chester fazia isso com maestria ímpar, fosse nos guturais como em "Faint" fosse em canções mais tranquilas como "Breaking the Habit". E sempre apreciei isso nele, assim como o belo timbre de que era dono. Uma pena que tenha partido tão jovem e repentinamente como outros grandes que nos deixaram recentemente, como Chris Cornell e George Michael.
    Beijos e boa semana!

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    1. Uma pena mesmo :(
      Até antes dele morrer, eu não sabia como as outras pessoas viam a voz do Chester. Sei que eu e fãs do LP gostávamos, mas tinha esse pensamento de que as outras pessoas achavam que ele apenas gritava e pronto. De fato, há quem pense assim, mas foi bacana pra mim ver tanta gente elogiando, reconhecendo a técnicas e as habilidades dele…

      Até hoje, várias vezes ao dia, a voz dele ecoa pela minha cabeça, geralmente contando Crawling.

      E vou precisar voltar ao YT para assistir ao clipe de Somewhere I belong porque minha memória é péssima haha

      Boa semana ^^

      Curtido por 1 pessoa

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